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Pe. Sergio Bergamin: uma casa que acolhe

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Sonia e Vasile, dois irmãos, viviam nas condutas subterrâneas da cidade romena de Constança. Foram os primeiros jovens a ser acolhidos na Casa Dom Bosco, obra criada há 15 anos pelo Pe. Sergio.

Sónia e Vasile viveram durante anos nas condutas subterrâneas da cidade portuária de Constança, na Roménia. O encontro com o sacerdote salesiano, Pe. Sergio Bergamin, ajudou-os a construir uma nova vida. «Eram pequenos, completamente abandonados. Mesmo no inverno só calçavam chinelos, estavam cheios de frio e tinham fome. Levámos-lhes alguma coisa de comer e roupa quente. Começámos assim a falar com eles», recorda o sacerdote, que hoje tem 65 anos.

Sónia e Vasile quando receberam a chave da Casa DOm Bosco, e 15 anos depois

Através de Sónia e Vasile, o padre Sérgio conheceu o mundo subterrâneo destas crianças. Algumas tinham apenas cinco ou seis anos. Muitas usavam drogas para fugir do frio interior. O padre Sérgio visitava-as. Com elas parava junto dos tubos quentes, juntamente com elas transpirava, comia e, sobretudo, conversava. Nas fotos que recordam aquela época, as crianças riem. Veem-se os seus dentes estragados e gastos, mas também um brilho de alegria nos seus olhos. Estão contentes por ver o padre Sérgio.

Sónia tinha nove anos quando as condutas subterrâneas da cidade se tornaram a sua casa. Era uma menina frágil, de cabelo louro e curto. Tão curto que podia parecer um rapaz. Vivia na rua juntamente com Vasile, o seu irmão mais velho. Com a mãe ausente, o padrasto ficou feliz por as crianças se terem ido embora. Estava mais interessado no álcool do que nos filhos da sua mulher. As crianças procuraram refúgio na rua. Ninguém se preocupava com elas. Nem sequer o Estado.

Após a queda do regime ditatorial em 1989, as estruturas que acolhiam as crianças estavam sobrelotadas. Muitos acabaram a viver na rua. “Viver na rua é difícil. Para uma rapariga é ainda mais. Fomos espancados muitas vezes. Ninguém nos ajudou. Vivíamos sempre cheios de medo”, recorda Sónia. Não estavam a salvo nem sequer dos ataques da polícia.

Quando em 2007 a Roménia começou a fazer parte da União Europeia, a situação das crianças piorou. A adesão à União Europeia impunha como condição que os orfanatos estatais fossem encerrados. «Esta exigência tinha um fundamento justo, porque as condições em que se encontravam estas instituições eram muito deficientes», diz o padre Sérgio. «O problema é que não havia alternativas. Acabaram por passar a viver na rua».

O sacerdote salesiano começou a ajudá-los ainda antes. Juntamente com colaboradores locais do Instituto Dom Bosco, há cerca de 15 anos adquiriu uma pequena casa na periferia da cidade de Constança. Nessa casa eram doze, podiam lá dormir e tomar refeições quentes. Sónia e Vasile foram as primeiras.

Sónia e a filha Tochter

Hoje, Sónia é uma bela e jovem senhora, mãe de uma menina de seis anos. Quer dar à sua filha uma vida melhor. O apartamento de Sónia parece uma caixa de sapatos. Tem uma superfície de nove metros quadrados, talvez até menos. O tamanho não é importante, o importante é que não vivem na rua. Tudo está limpo e em ordem. Nas paredes estão afixadas várias fotos: suas, da sua filha e do seu marido, que morreu com pouco mais de vinte anos devido a um tumor no estômago. Sónia, de 26 anos, tem, portanto, de criar a filha sozinha. Recebe um pequeno subsídio mensal de cerca de 100 euros. A renda do apartamento custa 30 euros. Mãe e filha não dispõem de grandes recursos. «Queria um trabalho estável, mas quando descobrem de que bairro sou, logo me despedem com uma desculpa», diz Sónia, que, apesar de tudo, se mantém otimista.

Vasile, irmão de Sónia, trabalha hoje num mercado

Também Vasile, o irmão de Sónia, deixou para trás a vida nas condutas subterrâneas. Com trinta anos, trabalha num mercado hortofrutícola durante o dia e faz compras para pessoas de idade que já não podem sair de casa. De noite trabalha num parque de estacionamento no centro de Constança. Vasile tem um vencimento fixo, mas não tem casa. «Durmo no carro do meu chefe. Espero que a minha situação mude em breve», diz.

O padre Sérgio elogia a determinação e a honestidade de Vasile. «A gente sabe que pode confiar nele. É uma boa pessoa», diz o salesiano. «Vasile nunca esteve preso, o que não é nada fácil, para quem teve uma vida tão difícil na rua».

Depois de ter passado um período de tempo na Moldávia, outra das presenças salesianas na região que pertence aos Salesianos de Itália, o Pe. Sergio regressou a Constança. Sente-se feliz por se encontrar diante da Casa Dom Bosco que se tornou uma grande família e um centro educativo. Ali no verão, cerca de 350 jovens passam os tempos livres.

Nas três obras na região, Constança e Bacau, na Roménia, e em Chisinau, na Moldávia, os Salesianos têm três oratórios/centros juvenis, dois centros de animação pastoral e vocacional, um centro de acolhimento, uma casa de família, uma paróquia, ocupação de tempos livres antes e depois da escola e cursos profissionais nas três presenças.

O Pe. Sergio não tem tempo para descansar. A história de Sónia e Vasile ensina que a mudança é possível. «Sónia e Vasile conseguiram construir uma vida. Vivem modestamente, mas já não estão na rua».

Fonte: Texto adaptado de Boletim Salesiano Itália

Fotografias: Marco Keller/Don Bosco Mission de Bona

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