Sacramentos

Aqui Deus toca a tua vida” — Os sacramentos: sinais que realizam o que significam

«Saiu dele uma força que curava a todos» (Lc 6,19)

Há gestos simples que mudam uma vida: um abraço, uma palavra certa, uma mão estendida no momento oportuno. Os sacramentos pertencem a esta lógica do concreto: Deus não salva à distância, toca-nos, envolve-nos, entra na nossa história através de sinais visíveis. Na liturgia sacramental, o invisível torna-se próximo.

Os sacramentos não são rituais simbólicos no sentido fraco da palavra, nem prémios para os perfeitos (Dizia o Papa Francisco). São encontros reais com Cristo vivo, que continua hoje a fazer o que fazia no Evangelho: curar, perdoar, alimentar, fortalecer, enviar.

O Concílio Vaticano II afirma: «Os sacramentos são ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e a dar culto a Deus» (Sacrosanctum Concilium, 59).

Sinais eficazes, não apenas simbólicos

A teologia da Igreja é clara: os sacramentos realizam aquilo que significam.

Não apenas apontam para a graça – comunicam-na. Como recorda o Catecismo: «Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja» (CEC, 1131).

Quando a água do Batismo é derramada, a vida nova nasce. Quando o perdão é pronunciado, o pecado é realmente perdoado. Quando o pão é consagrado, Cristo torna-Se alimento.

Bento XVI sublinha esta lógica da encarnação: «A economia sacramental é o prolongamento da lógica da Encarnação» (Sacramentum Caritatis, 16).

Deus age através de sinais humanos para alcançar a vida humana.

Cristo age hoje nos sacramentos

Nos sacramentos, não celebramos apenas o que Cristo fez outrora. Celebramos o que Ele faz hoje. É o próprio Cristo quem batiza, perdoa, unge, consagra, envia.

O ministro não substitui Jesus, é instrumento da sua ação.

Papa Francisco recorda em Desiderio Desideravi: «Na liturgia sacramental, é sempre Cristo quem age para nos conformar a Si» (DD 41).

Cada sacramento é um momento de encontro pessoal, nunca um gesto automático. A graça é dom, mas pede acolhimento. Por isso, a liturgia educa-nos para receber, para confiar, para nos deixar tocar. Os sacramentos prolongam esta lógica: Deus continua a usar o humano para nos alcançar.

Mistagogia: entrar no mistério

A Igreja não propõe os sacramentos como atos isolados, mas como caminho. Mistagogia significa precisamente isso: ser conduzido para dentro do mistério, passo a passo, através dos sinais, dos gestos, das palavras.

Na liturgia, tudo fala:

– a água que lava;

– o óleo que fortalece;

– a imposição das mãos;

– o silêncio que acolhe;

– a palavra que envia.

O Papa Francisco insistia: «Não se entra no mistério apenas compreendendo-o, mas vivendo-o» (DD 44). Celebrar um sacramento é deixar que Deus reorganize a nossa vida a partir de dentro.

Sacramentos para a vida inteira

Os sacramentos não são momentos desligados da vida quotidiana.

Eles acompanham o crescimento humano e espiritual: nascer, crescer, amar, cair, levantar-se, servir, partir. Cada sacramento toca um momento real da existência.

Por isso, os Bispos Portugueses recordam: «Os sacramentos constroem uma espiritualidade concreta, capaz de transformar a vida» (Liturgia Viva, 27).

Quem se confessa aprende a recomeçar.

Quem comunga aprende a partilhar.

Quem é confirmado aprende a testemunhar.

A liturgia molda lentamente o coração do discípulo.

São João Bosco acreditava profundamente na força educativa dos sacramentos: “A Eucaristia e a Confissão são as colunas que sustentam a vida cristã.”

Celebrar é deixar-se educar por Deus.

Do sinal à missão

Cada sacramento termina com um envio silencioso: vai e vive o que recebeste. A graça pede continuidade. Aquilo que foi celebrado deve tornar-se estilo de vida, escolha concreta, serviço humilde. «O dom recebido na liturgia tende a transformar toda a existência» (Sacramentum Caritatis, 70).

Deus toca-nos para nos enviar.

Frase-chave para a app: “Nos sacramentos, Deus não promete apenas: age.”

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