Beatriz Antunes: “Este logótipo é uma mensagem para os jovens, para que não nos acomodemos”

Tem 25 anos, é antiga aluna salesiana e é licenciada em Design de Comunicação pelas Belas Artes de Lisboa. É a autora do logótipo que venceu o concurso internacional para a Jornada Mundial da Juventude de 2023 em Lisboa.

Permita-me que comece por aqui: é devota de Nossa Senhora?

Sim, sou. Mas apesar da fé me acompanhar desde criança, foi só enquanto universitária e participante da Missão País, que comecei a aproximar-me de Nossa Senhora. E é curioso que, essa descoberta começou, precisamente, com o relato da Visitação (o mesmo que inspira agora a JMJ de Lisboa).

É antiga aluna salesiana. A educação católica impeliu-a na conceção genial do logótipo?

Crescer com uma educação católica foi determinante para a forma como entendo a minha participação na Igreja, e a alegria que se vive nas escolas salesianas serviu de inspiração, vejo agora, para este meu trabalho.

O terço e o rosto de Nossa Senhora são preponderantes. Quer explicar?

Maria foi desenhada jovem para representar a figura do Evangelho de São Lucas (Lc 1, 39) e potenciar uma maior identificação com os jovens. Fez-me sentido que o seu rosto estivesse presente na imagem, para que todos a pudessem olhar como ela também foi: jovem. A presença do terço celebra a identidade espiritual portuguesa, na sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Este elemento surge disposto no caminho para invocar a experiência de peregrinação, tão relevante em Portugal.

Podemos afirmar que no logótipo há uma dimensão patriótica. Era importante este cunho de portugalidade?

Cada Jornada Mundial da Juventude é também definida pela cidade que a acolhe. Assim, era indispensável que o logótipo comunicasse, de forma inequívoca, o país de acolhimento desta edição. Evocar a bandeira portuguesa, a partir das suas cores, foi a estratégia por que optei.

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Faz sentido, para um evento multiétnico e multirreligioso, a cruz ser o traço aglutinador de todos os elementos?

Apesar da Jornada Mundial da Juventude ser aberta a todos, aos mais próximos e aos mais distantes da Igreja, este encontro não deve deixar de ser, fundamentalmente, uma oportunidade para o encontro pessoal com Jesus Cristo. Assim sendo, para mim não faria sentido que a Cruz de Cristo, sinal maior do amor de Deus pela humanidade, não assumisse o papel central.

O trabalho foi escolhido num concurso internacional que contou com candidatos de 30 países. Deu-lhe fama e desassossegou os seus dias?

Desassossegou, numa primeira fase. Fui contactada por jovens de todo o mundo, mas passou rápido. Porque, afinal, falamos de algo muito maior do que eu; de um trabalho que já não me pertence, que é património da Igreja.

Quer deixar uma mensagem aos jovens seus coetâneos? Este logótipo é, em si mesmo, uma mensagem para os jovens de todo o mundo — que lembra, como pede o Papa Francisco, que não nos acomodemos. É preciso partir, já, e empenhados na construção de um mundo mais justo e fraterno.


O logótipo da JMJ

As cores evocam a bandeira portuguesa. A Cruz de Cristo é o elemento central, de onde tudo nasce. O relato da Visitação, tema da JMJ Lisboa 2023, é representado no caminho. O terço celebra a espiritualidade do povo português na sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Maria foi desenhada jovem. Ainda não foi mãe, mas encerra em si a luz do mundo.

Fotografias: João Ramalho

Publicado no Boletim Salesiano n.º 590 de Janeiro/Fevereiro de 2022

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