Semana das Artes nos Salesianos de Lisboa: “Inteireza do ser”

Semana das Artes nos Salesianos de Lisboa: “Inteireza do ser”

A Semana das Artes, nos Salesianos de Lisboa, é a voz artística, desta criatividade, originalidade e pensamento e inclui todos os alunos da escola, do 1.º ano do 1.º Ciclo até ao 12.º do Secundário.

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.”

Sophia de Mello Breyner Andresen,
em “Poesia”, 1944

Vivemos no mundo da aceleração tecnológica, da inteligência artificial e das redes sociais que moldam os nossos cérebros, para o consumo rápido e para a gratificação instantânea. A criação artística exige frustração, erro, repetição e períodos de maturação intelectual e técnica.

O espaço e o tempo para a aprendizagem e prática artísticas são um “oásis de desaceleração”, de uma importância vital. 

É nesse lugar quadrimensional que se gere a ansiedade dos alunos perante processos demorados e se resgata a atenção plena, a contemplação, a experiência sensorial, o erro físico – a relação do corpo com a matéria – reconciliando-os com a curiosidade, imaginação e engenho.

“Eis a nossa escola, humana, presente, um “oásis” da expressão artística”

A Semana das Artes, nos Salesianos de Lisboa, é a voz artística desta criatividade, originalidade e pensamento e inclui todos os Alunos da Escola, do 1.º ano do 1.º Ciclo até ao 12.º do Secundário.

Em tempos extraordinários, acontecem coisas extraordinárias, e nesta edição, os alunos e os professores transformaram os corredores, as salas e os espaços comuns, num universo paralelo, onde a realidade se “dobrou” em torno da massa crítica de novas formas, cores e personagens inesperadas.

“Portal Avariado” chamaram-lhe… Uma escotilha aberta, sem “câmaras de pressurização”, para um oceano de obras de arte. Um “mundo silencioso que não atinge, a agitação das ondas”, como no poema de Sophia, cheio de “Criaturas” inspiradas na obra “A Menina do Mar”.

No Musicentro, entre tributos notáveis aos grandes pintores de todos os tempos, escuta-se o som e doces notas do grupo Starbits.

“Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência”. Inteiro, o 2.º Ciclo trouxe aos seus corredores uma explosão de cor, alegria, no espaço exterior, e, conscientes, os três ciclos protagonizaram uma verdadeira “inv.ação” da imaginação, com instalações e personagens vindas de outras dimensões, para espanto e regalo de toda a comunidade escolar.

Na CASA das Artes, a mostra com trabalhos dos alunos do curso de Artes, num mergulho e encontro inesperado e improvável entre artistas e linguagens, inspirado nos universos visuais de Bill Watterson, John Kascht e Paula Rego.

Aí também, as “Nanas” produzidas pelos alunos do 10.º ano, inspirados nas obras de Niki de Saint Phalle, a celebrar o poder, a liberdade e a alegria de viver no feminino.

A rematar, uma homenagem a Cruzeiro Seixas, num itinerário percorrido entre o sonho e a realidade e ainda uma referência a Eduardo Gageiro, em tom de desafio aos alunos finalistas: a desconstrução e desmaterialização de fotografias da realidade em novos universos surrealistas.

Eis a nossa escola, humana, presente, um “oásis” da expressão artística, prova de que a criatividade tem a capacidade rara de unir pessoas e de as convidar a parar e con-
templar.

“Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.”

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Fotografia: João Ramalho

Publicado no Boletim Salesiano n.º 617 de setembro/outubro de 2026

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