A Idade da Inteligência Artificial começou

A Idade da Inteligência Artificial começou

A humanidade avança para uma nova era, a da Inteligência Artificial. Entre o otimismo e o medo, há uma corrida para criar primeiro.

A Inteligência Artificial (IA) está a ter um desenvolvimento imprevisto há alguns anos. Ela já está presente no nosso dia a dia, no desenvolvimento do conhecimento e da produtividade, na automação, na vigilância e na localização por GPS, e a sua aplicação em áreas como a saúde, a educação, a pesquisa de tecnologias menos poluentes e a exploração espacial, é já uma realidade.

Bill Gates, o fundador da Microsoft, – que, por sua vez, é a maior investidora na empresa OpenAI que criou o ChatGPT –, é um dos maiores entusiastas quanto ao futuro da IA, principalmente no que toca a avanços no campo da saúde, investigação e diagnóstico, e da educação. Num texto publicado no seu blog defende que a IA deve melhorar a vida das pessoas e evitar riscos, e que deve, através de leis e financiamento, de governos e particulares, garantir maior equidade e que será usada por toda a humanidade.

“A IA de certa forma é um superpoder”, afirmava Pedro Domingos, professor de ciências da computação e autor de “O Algoritmo Mestre”. É, por isso, natural que haja uma corrida de investigadores, cientistas de dados, empresas e investidores para criar primeiro.

Os riscos de um “superpoder”

Mas também há um lado escuro. E o medo é também natural e justificável. Todos os especialistas da área reconhecem os riscos, técnicos e não técnicos da IA. Num estudo do Fórum Económico Mundial a desinformação e as falsas notícias aparecem entre as maiores preocupações de curto prazo entre os analistas de riscos globais, decisores políticos e líderes da indústria. Por outro lado, preocupa o impacto que vai ter no emprego, na tecnologia militar, de que forma será alinhada com valores humanos, se será possível evitar a exclusão dos países e das populações mais pobres.

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A área da saúde é uma das que mais pode beneficiar da utilização da IA © Patrício Davalos/Unsplash

Estas preocupações estão contidas na mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, publicada no final de janeiro. “A rápida difusão de maravilhosas invenções, cujo funcionamento e potencialidades são indecifráveis para a maior parte de nós, suscita um espanto que oscila entre entusiasmo e desorientação e põe-nos inevitavelmente diante de questões fundamentais: O que é então o homem, qual é a sua especificidade e qual será o futuro desta nossa espécie chamada homo sapiens na era das inteligências artificiais? Como podemos permanecer plenamente humanos e orientar para o bem a mudança cultural em curso?”, escreve o pontífice. É necessário, exorta o Papa, “um tratado internacional vinculativo, que regule o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial”. Francisco, neste texto, toca ainda os temas dos direitos de autor, das fontes, do pluralismo da informação e dos perigos do pensamento único.

Também o Conselheiro dos Salesianos para a Comunicação Social, Pe. Gildásio Mendes, defende que “um dos graves problemas do mundo digital é o poder. O poder de seduzir, manipular, mentir, causar ódio e violência, contra os outros. É por isso que a educação ética, para a vida no mundo digital, é uma questão de extrema urgência – nas escolas e nas nossas famílias”.

A Idade da Inteligência Artificial começou
O medo é natural e justificável. Todos os especialistas da área reconhecem os riscos, técnicos e não técnicos, da Inteligência Artificial © Nick Fewings/Unsplash
IA, IA Geral e IA Superinteligente

O lançamento no final de 2022 do ChatGPT fez soar vários alarmes em todo o mundo e muitas vozes chegaram mesmo a pedir uma moratória de seis meses no desenvolvimento de IA mais sofisticada para criar legislação e melhorar a segurança, a exatidão e a transparência dos sistemas atuais devido ao “riscos que pode trazer para a sociedade e a humanidade”. A investigação continua e é provável que nos próximos anos sistemas de Inteligência Artificial Geral e Superinteligência Artificial sejam uma realidade. Alguns riscos estão já identificados: o que o mundo da IA chama “alucinações” ou erros factuais dos sistemas, “preconceitos”, o efeito bolha, o cibercrime e a violação da proteção de dados e da privacidade, outros são ainda desconhecidos.

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Os investigadores defendem que a comunidade internacional deve adotar protocolos de segurança comuns e pedem pactos globais. A União Europeia foi pioneira na criação de legislação. No início de fevereiro os Estados Unidos da América criaram um consórcio de empresas da área para esse fim. A humanidade vai ter de estar vigilante e de ter boas leis que a protejam.

Fotografia da entrada: Andy Kelly/Unsplash

Publicado no Boletim Salesiano n.º 602 de março/abril de 2024

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