Recurso complementar

Tribunal de Segunda Oportunidade

Tipo
Dinâmica
Modalidade
Grupo

Preparam-se vários "processos", cada um apresentando a história de uma pessoa que cometeu um erro (por exemplo, copiar num teste, mentir, roubar, trair a confiança de um amigo, publicar uma mensagem ofensiva nas redes sociais ou outro caso semelhante). Cada processo é dividido em três partes, revelando progressivamente novos elementos da história. Os participantes organizam-se em pequenas equipas e recebem um processo incompleto (com informação exígua), acompanhado de uma pedra colocada sobre o dossier. Explica-se que essa pedra representa o poder de julgar e condenar. Antes de abrirem o processo, cada equipa escreve na capa uma única palavra que descreva a pessoa que imagina encontrar naquela história e diz essa palavra em voz alta para todos. Sem conhecer os factos, surgem frequentemente expressões como irresponsável, egoísta, mentiroso ou violento. A palavra permanece visível durante toda a atividade. Numa primeira fase, as equipas conhecem apenas uma breve descrição dos factos e são convidadas a responder espontaneamente: O que pensam desta pessoa? Como deveria ser tratada? Merece uma segunda oportunidade? Registam a sua decisão. Recebem agora uma segunda parte do processo, onde surgem novos elementos: a história familiar, as circunstâncias em que vive, as pressões sofridas, o arrependimento manifestado, tentativas de reparação ou outros aspetos que ajudam a compreender melhor a situação, sem eliminar a responsabilidade pelos seus atos. Perante estas novas informações, cada equipa pode manter ou rever a decisão inicialmente tomada, explicando o que mudou. Por fim, entrega-se a última página. Esperando encontrar a conclusão do processo, descobrem apenas uma folha em branco onde se lê, a lápis muito claro, quase invisível, e só se tornar legível se olharem com atenção ou à luz: «Há sempre uma parte da história que não conheces.» Este caminho dá azo a um momento de silêncio. Neste momento, cada equipa vira o processo e escreve uma nova palavra na contracapa, procurando agora descrever a mesma pessoa à luz de tudo o que foi descobrindo. Frequentemente surgem palavras como frágil, arrependido, corajoso, filho, irmã, esperança ou recomeço. Escutam-se então as palavras de Jesus: «Quem de entre vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra.» Sem qualquer comentário, cada jovem pega na pedra, segura-a durante alguns instantes e coloca-a lentamente no chão. A pedra não desaparece; apenas deixa de estar na mão. Conclui-se recordando que Jesus não negou o erro da mulher, mas recusou que esse erro definisse a sua identidade. Esta palavra continua a desafiar cada pessoa a olhar para os outros não só pelo que fizeram, mas por aquilo que ainda podem vir a ser.

Questões para Reflexão

  1. Porque terá Jesus preferido escrever no chão antes de responder?
  2. Que mudança concreta nasce hoje deste perdão recebido? Em que situações sou mais parecido com quem segura a pedra do que com a mulher?
  3. Que sensação tiveste ao escrever aquela primeira palavra na capa, sabendo tão pouco sobre a pessoa? De onde vinha essa palavra: de algo que já viveste, viste acontecer a alguém, ou de um preconceito que nem sabias que tinhas? Foi fácil ou difícil admitir, no fim, que a primeira palavra tinha sido apressada?
  4. O que pesou mais na tua decisão inicial: os factos, ou a falta deles? Há situações na tua vida em que julgaste alguém como se conhecesses "toda a história" e afinal não conhecias? Achas que és capaz de viver com a incerteza de nunca saber tudo sobre uma pessoa, e mesmo assim escolher não a condenar?
  5. Que diferença existe entre condenar alguém e ajudá-lo a recomeçar? Que "pedras" és chamado a deixar cair na tua vida?
  6. Se hoje alguém abrisse um processo sobre ti, que palavra achas que as pessoas escreveriam na capa, sem te conhecerem bem? E que palavra gostarias que escrevessem na contracapa, depois de te conhecerem de verdade?