Precisas de algumas peças pequenas para montar (blocos de construção, peças de um puzzle simples, ou objetos de casa que possas empilhar, como copos ou caixas). Antes de começares, tapa os olhos com uma venda ou um pano. Sem veres nada, tenta construir algo com essas peças apenas pelo tato, sem pressa, sentindo cada peça antes de a colocares, corrigindo pela sensação das mãos e não pela visão. Continua durante três a cinco minutos, mesmo que sintas que a construção está torta, incompleta ou instável. Ao fim desse tempo, tira a venda e olha, pela primeira vez, para o que as tuas mãos construíram no escuro. Seguidamente, pega numa folha e escreve uma pequena página, como se fosse retirada do diário do “carpinteiro de Nazaré”, começando cada linha com "Hoje escolhi…". Não escrevas grandes decisões: escreve três ou quatro pequenas escolhas reais que tomaste hoje, sem veres onde te levariam, tal como José escolhia todos os dias, sem saber o que Deus preparava, tais como: "hoje escolhi confiar mesmo sem perceber tudo", "hoje escolhi ficar em silêncio em vez de discutir", "hoje escolhi continuar uma tarefa sem saber se estava a fazer bem". Guarda essa página onde a possas reler noutro dia, como lembrete de que a fé de José também nasceu de pequenas escolhas diárias, não de uma única escolha grandiosa.
Questões para Reflexão
- José não decide apenas porque faz silêncio; decide porque escuta a voz de Deus no sonho. Que palavra senti que Deus poderia estar hoje a dirigir-me a mim? Que decisão difícil tenho vindo a adiar?
- Foi frustrante construir sem ver? Em que momento senti mais vontade de desistir ou espreitar?
- José, homem de trabalho manual, ouviu em sonhos o que devia fazer e obedeceu sem ver o caminho todo: partiu para o Egito sem saber quando regressaria, acolheu um filho que não era seu por geração, mas que sabia que devia proteger. Como as minhas mãos, ele construiu no escuro, guiando-se por uma confiança que não podia comprovar antes de agir.
- O que as minhas mãos construíram parece-me pior por não ter visto, ou revela que às vezes conseguimos mais do que pensávamos, precisamente porque não tivemos tempo de duvidar ou hesitar? José também não teve garantias, apenas obedeceu, e disso nasceu a maior história da humanidade. Que decisão da minha vida ainda espero "ver melhor" antes de agir, quando provavelmente já tenha as mãos preparadas para começar, mesmo sem ver tudo?
- Ao escrever as minhas pequenas escolhas de hoje, reconheço nelas o mesmo tipo de fé silenciosa de José, feita de decisões pequenas e diárias, mais do que de um grande feito heroico?
