Recurso complementar

A Escolha às Cegas

Tipo
Dinâmica
Modalidade
Individual

Desenvolvimento da Dinâmica

Escreve em pedaços de papel iguais (dobrados, sem veres) 4 a 6 coisas que valorizas muito e que custaria perder: objetos, hábitos, pessoas, rotinas, formas de controlo. Ou coisas que "possuis" em sentido amplo (o telemóvel, o conforto, o controlo do teu tempo, uma imagem que tens de ti próprio. E ainda, a necessidade de ter sempre razão, parecer perfeito, agradar a todos ou medo de falhar.). Mistura bem os papéis num saco ou caixa fechada. Agora, sem pensar, tira um só papel à sorte: não escolhes, o acaso escolhe por ti. Abre-o. Lê o que saiu. E, ali mesmo, nos próximos cinco minutos, faz uma ação concreta e imediata que simbolize esse desprendimento: se saiu o telemóvel, desliga-o e põe-no numa gaveta fechada à chave, sem saberes quando o voltas a abrir. Se saiu uma rotina de conforto, faz agora mesmo o oposto dela (senta-te no chão em vez do sofá, salta a próxima refeição confortável, cancela um plano fácil). Se saiu uma pessoa ou relação, escreve-lhe uma mensagem de gratidão sem pedir nada em troca, sem esperar resposta.

O gesto escolhido não precisa de durar o dia todo: precisa de ser real e imediato, feito nos cinco minutos seguintes, sem tempo para negociares contigo mesmo ou preparares uma versão mais confortável do desprendimento. Foi mais difícil por não teres escolhido tu o que soltar? Essa é a mesma surpresa do jovem rico: não foi ele que escolheu o que Jesus lhe pediria. Antes de terminares, aproxima-te de uma porta da tua casa. Coloca a mão na maçaneta durante alguns segundos e pergunta-te: 'Se Jesus passasse agora por esta porta e me convidasse a segui-Lo, o que me prenderia ainda deste lado?

Questões para Reflexão

  1. O que senti quando li o papel: foi alívio por não ter saído algo "pior", ou resistência mesmo perante algo que já esperava? O que essa reação me revela sobre o que realmente controlo… ou julgo controlar?
  2. Se pudesse escolher o que soltar, teria escolhido o mesmo? Ou teria escolhido sempre a coisa "mais fácil" de largar, evitando tocar no que me prende de verdade?
  3. Após o gesto, o que ficou mais leve em mim e o que ainda resiste? Existe algo que, mesmo sem ter saído no papel, sei que é a "uma coisa que me falta" para caminhar mais livre?