Recurso complementar

A Última Pergunta

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Durante mais de trinta anos, o professor Augusto ensinou História. Gostava de livros antigos. Dizia aos alunos que aprender era nunca deixar de fazer perguntas. Acreditava que cada resposta abria sempre uma nova porta e que o mundo se compreendia procurando. Por isso, no final das aulas, demorava-se muitas vezes na biblioteca. Lia mais um capítulo, consultava mais um mapa, fazia mais uma anotação. Parecia haver sempre qualquer coisa por descobrir. Numa tarde de dezembro, ao atravessar o átrio da escola, reparou num menino sentado diante do presépio. Estava sozinho. Não rezava. Não dizia nada. Olhava apenas para o Menino Jesus. Ao seu lado havia um pequeno embrulho, cuidadosamente preso com um fio de lã. Augusto aproximou-se devagar.

– Ainda não Lhe foste entregar o presente?

O menino abanou a cabeça.

– Não.

– Então estás à espera de quê?

A criança continuou a olhar para o presépio. Passaram alguns instantes antes de responder. Depois disse, muito baixinho:

– Primeiro quero que Ele olhe para mim.

O professor não encontrou nenhuma resposta. Sentou-se ao lado do menino. Durante muito tempo, nenhum dos dois disse uma palavra. Naquela tarde, Augusto regressou a casa sem abrir um único livro. E compreendeu, que há perguntas que não conduzem a uma resposta. Conduzem a um encontro. E há encontros diante dos quais o mais sábio é permanecer em silêncio.

Ligação ao Tema

Os Magos iniciam a sua viagem movidos pelo desejo de compreender. Seguem uma estrela, fazem perguntas, procuram sinais e percorrem um longo caminho. Mas o ponto mais alto da narrativa não é a descoberta de uma resposta, mas o momento em que encontram o Menino, se prostram diante d'Ele e O adoram. Só depois abrem os seus tesouros. Também o professor Augusto passa da procura intelectual à experiência do encontro. A criança recorda-lhe, com a simplicidade própria do Evangelho, que antes de oferecer alguma coisa a Deus importa deixar-se encontrar pelo Seu olhar. É esse encontro que transforma a busca em adoração.

Questões para Reflexão

  1. O menino diz "primeiro quero que Ele olhe para mim" antes de entregar o presente: inverte a lógica habitual de primeiro oferecer, depois merecer atenção. Os Magos também não chegam a Belém já sábios: percorrem um longo caminho de perguntas até que, finalmente, se prostram e adoram. Na minha relação com Deus, sinto que preciso de ter algo para oferecer antes de me deixar olhar por Ele?
  2. Durante trinta anos, Augusto acredita que "aprender era nunca deixar de fazer perguntas": cada resposta abre uma nova porta. Mas diante do presépio, percebe que "há perguntas que não conduzem a uma resposta, conduzem a um encontro." Há alguma área da minha vida (fé, relações, vocação) onde tenho estado tão ocupado a procurar respostas que talvez tenha adiado o simples encontro que já estava ao meu alcance?
  3. Que "tesouro" (tempo, talento, uma decisão, um perdão) tenho guardado, à espera de primeiro deixar que Deus me "olhe"?
  4. Que "tesouro" gostarias de colocar hoje aos pés de Jesus? Depois de encontrares Jesus Cristo, que "outro caminho" és chamado a percorrer na tua vida?