Numa pequena vila dividida por um rio viviam dois irmãos que há muitos anos não se falavam. Uma discussão antiga tinha transformado a amizade em distância. As famílias evitavam-se. Os vizinhos já se tinham habituado. Um dia, um dos irmãos decidiu construir uma vedação ainda maior para marcar definitivamente a separação. Contratou um carpinteiro e deixou-lhe a madeira necessária. Quando regressou ao final da tarde ficou furioso. Em vez da vedação, o carpinteiro tinha construído uma ponte. Uma ponte simples, mas sólida. Preparava-se para reclamar quando viu o irmão aproximar-se do outro lado do rio. Durante alguns segundos permaneceram em silêncio. Depois atravessaram a ponte e abraçaram-se. Enquanto os dois conversavam, o carpinteiro começou a arrumar as ferramentas.
– Espere! – gritaram. – Fique connosco mais alguns dias!
O homem sorriu.
– Gostava muito. Mas ainda tenho muitas pontes para construir.
E partiu.
Ligação ao Tema
José vive um momento de enorme confusão. Poderia escolher o afastamento, a desconfiança ou a rutura. Em vez disso, decide acolher o caminho que Deus lhe propõe. Tal como o carpinteiro da história, José não constrói muros; constrói pontes. O seu silêncio não é passividade, mas espaço de discernimento e de reconciliação. No silêncio do discernimento José não levanta muros, abre pontes.
Questões para Reflexão
- José recebe ordem para construir uma vedação: os planos de Deus, porém, chegam-lhe em sonhos e pedem-lhe algo completamente diferente do que a lógica ou a dor inicial sugeriam ("não temas receber Maria"). O carpinteiro também recebe instruções claras para uma vedação, mas constrói o que via ser realmente necessário. Costumo construir pontes ou muros? Já vivi um momento em que segui um "impulso mais silencioso" (de perdão, de confiança ou de reconciliação) em vez da reação mais óbvia ou esperada de mim?
- José pondera "repudiar Maria em segredo" antes do anjo lhe falar. Passa por um tempo de silêncio e discernimento antes de agir, sem tornar pública a sua dúvida ou mágoa. Nos momentos em que me sinto confuso ou ferido por uma situação, costumo dar-me esse espaço de silêncio para discernir, ou tendo a reagir e decidir demasiado depressa?
- Os irmãos só se reconciliam, porque alguém, silenciosamente, decidiu construir algo diferente daquilo que lhe tinha sido pedido, sem anunciar grandes intenções, apenas agindo. Há alguma "ponte" que eu poderia começar a construir agora, mesmo em silêncio e sem que ninguém me tenha pedido isso diretamente, entre pessoas ou situações que estão separadas na minha vida?
