Numa pequena ilha existia um farol que orientava os barcos durante as tempestades. Todos conheciam o nome dos capitães. Todos admiravam os marinheiros que enfrentavam as ondas. Mas quase ninguém conhecia Helena. Helena vivia junto ao farol. Não conduzia embarcações. Não explorava oceanos. Não recebia medalhas. Todas as noites, porém, verificava o combustível da lanterna, limpava os vidros e assegurava-se de que a luz permanecia acesa. Numa noite particularmente violenta, uma tempestade atingiu a costa. Os barcos conseguiram regressar em segurança. No dia seguinte, a população reuniu-se para celebrar os marinheiros. Durante a cerimónia, um velho pescador levantou-se e apontou para Helena.
– Hoje estamos todos vivos porque alguém cuidou da luz.
O silêncio instalou-se. Compreenderam, assim, que existem pessoas que não aparecem nas fotografias, mas sem as quais a história seria completamente diferente.
Ligação ao Tema
Há luzes que nunca aparecem na fotografia, mas sem elas ninguém encontraria o caminho. Helena cuida do farol sem aparecer nas fotografias. Maria permanece no Cenáculo de modo semelhante: não ocupa o centro da ação, mas sustenta a esperança da comunidade que espera o Espírito. Em ambas, a força está menos no protagonismo do que na fidelidade silenciosa a uma comunidade de fé.
Questões para Reflexão
- Helena não navega, não enfrenta as ondas, não faz nada de visível na noite da tempestade, apenas mantém a luz acesa, como sempre fez, sem saber se aquela seria a noite em que isso realmente importaria. Maria, no Cenáculo, também não sabe exatamente o que vai acontecer no Pentecostes, mas persevera em oração com a comunidade. Há algum cuidado discreto que mantenho sem saber quando dará fruto?
- Só depois da tempestade é que o pescador aponta para Helena e diz "alguém cuidou da luz", durante anos, ninguém tinha reparado. Conseguiria eu continuar fielmente esse tipo de cuidado silencioso mesmo que nunca ninguém viesse a reconhecê-lo publicamente, ou preciso de alguma forma de ser visto para me sentir motivado a continuar?
- Maria não lidera, não discursa, não aparece como protagonista no Cenáculo, mas a sua presença fiel sustenta a espera da comunidade pelo Espírito Santo. Nos grupos de que faço parte (família, trabalho, comunidade, amigos), tendo mais tendência a querer ocupar o centro e ser notado, ou a assumir esse papel mais discreto de sustentar os outros com a minha simples presença constante?
