A banda da escola preparara durante meses o concerto mais importante do ano. Os ensaios tinham sido intensos. Os cartazes estavam espalhados pela cidade. As expectativas eram enormes. Mas, na manhã do espetáculo, tudo começou a correr mal. O sistema de som avariou. Dois músicos adoeceram. A chuva obrigou a cancelar o palco exterior. Pouco a pouco, muitos dos voluntários começaram a desaparecer. Alguns tinham compromissos. Outros não queriam ficar associados a um fracasso. Quando chegou a hora prevista para o concerto, apenas poucas pessoas permaneciam no recinto. Entre elas estava Sofia. Não era cantora. Nem tocava qualquer instrumento. Não podia resolver nenhum dos problemas. Mas ficou. Ajudou a transportar material. Acolheu quem chegava. Escutou quem estava desanimado. No final da noite, apesar de tudo ter corrido de forma diferente do esperado, o diretor da banda agradeceu-lhe.
– Sabes qual foi a tua maior ajuda?
Sofia abanou a cabeça.
– Ficaste.
E há momentos em que a presença vale mais do que qualquer solução.
Ligação ao Tema
Nem sempre amar significa resolver. Há momentos em que amar significa permanecer. É essa fidelidade silenciosa que o Evangelho contempla em Maria ao pé da cruz e que Sofia aprende ao permanecer no concerto até ao fim. Maria não consegue impedir o sofrimento de Jesus. Não pode alterar os acontecimentos. Não possui respostas. Mas permanece. Enquanto muitos fogem, ela fica. O amor verdadeiro nem sempre resolve os problemas: muitas vezes manifesta-se simplesmente através da presença fiel.
Questões para Reflexão
- Sofia "não podia resolver nenhum dos problemas". Quando alguém que amo está a sofrer e eu não tenho solução nenhuma, é mais forte em mim o impulso de fugir (por sentir que "não sirvo para nada" ali) ou o de ficar mesmo sem poder ajudar de forma prática?
- Muitos voluntários desaparecem no dia do concerto: "não queriam ficar associados a um fracasso." Há um paralelo silencioso com os discípulos que fogem no momento da Paixão, enquanto Maria e João permanecem junto à cruz, expostos, sem nada a ganhar com isso. Já me afastei de alguém ou de uma situação difícil por medo de ser associado ao "fracasso" ou à dor alheia, e não propriamente por não me importar?
- O diretor da banda resume tudo numa palavra: "ficaste." Não "resolveste", não "salvaste a noite", apenas ficaste. Recordando os momentos mais difíceis da minha vida, quem foi essa pessoa que simplesmente "ficou", sem grandes gestos, e o que é que isso me ensinou sobre o tipo de presença que eu próprio gostaria de oferecer aos outros?
