Recurso complementar

A Cidade dos Bancos Vazios

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Numa cidade muito movimentada existiam dezenas de praças espalhadas pelos bairros, todas com bancos de madeira à sombra. Mas havia algo estranho: os bancos estavam quase sempre vazios. As pessoas passavam apressadas, cumprimentavam-se pouco, conversavam ainda menos. Com o tempo, a solidão foi crescendo em silêncio. Havia jovens que se sentiam invisíveis, idosos que passavam dias sem falar com ninguém, demasiadas pessoas que carregavam problemas sem ter com quem os partilhar. A cidade inteira parecia um campo maduro que ninguém colhia. Isabel reparou nisso mesmo antes de saber o que fazer com essa perceção. Via os mesmos bancos vazios todos os dias, a caminho da faculdade, e um dia perguntou-se, sem grande plano, o que aconteceria se, em vez de continuar a passar, se sentasse. Não teve uma ideia genial; teve apenas a coragem de experimentar algo pequeno: sentar-se todos os sábados no mesmo banco, durante uma hora, com um cartaz simples ao lado: "Se precisares de conversar, senta-te aqui." No primeiro sábado, ninguém apareceu. No segundo, também não. Na terceira semana, um senhor de idade aproximou-se devagar, leu o cartaz duas vezes, como quem confirma se pode mesmo confiar naquilo, e sentou-se sem dizer nada durante alguns minutos. Só depois, olhando em frente, perguntou baixinho se era mesmo verdade que podia falar. E falou da mulher que estava doente. Uma vizinha do supermercado falou-lhe de como a sua casa lhe parecia grande demais para uma pessoa só. Depois veio uma senhora preocupada com o filho. Mais tarde, um adolescente que só queria não estar sozinho. Aos poucos, outros jovens começaram a fazer o mesmo, noutros bairros. Meses depois, os bancos da cidade já não estavam vazios. O problema nunca tinha sido a falta de pessoas com fome de serem ouvidas, nem a falta de bancos ou de praças bonitas. A messe estava ali, madura, à vista de todos, há anos. Faltava apenas alguém disposto a sentar-se, a começar e a avançar.

Ligação ao Tema

Jesus olha para o mundo e vê uma enorme necessidade de cuidado, esperança e proximidade. A "messe" simboliza todas as oportunidades de bem que esperam por alguém que responda. Isabel percebe que não é necessário resolver todos os problemas da cidade. Basta começar por aquilo que está ao seu alcance. Tal como no Evangelho, a necessidade já existe; falta quem se disponha a responder.

Questões para Reflexão

  1. Quantos "bancos vazios" existem à minha volta? Costumo reparar nas necessidades próximas ou espero que sejam outros a agir?
  2. Isabel não teve garantias de que alguém apareceria, e continuou mesmo depois de duas semanas sem ninguém. O que me faz desistir de um gesto de bem, quando não vejo resultado imediato?
  3. Se hoje decidisse ser, mesmo só uma vez, o "banco" onde alguém pudesse finalmente sentar-se e falar, quem seria essa pessoa, e o que me impede de dar esse primeiro passo ainda esta semana?