Recurso complementar

O Café Sem Wi-Fi

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Quando abriu, toda a gente pensou que iria falir. O Café Horizonte não tinha internet.

Não tinha televisões. Não tinha música ambiente. Nada. Apenas mesas. Cadeiras. E pessoas. Nos primeiros meses quase ninguém aparecia. Mas lentamente começou a acontecer algo estranho. As pessoas ficavam. Conversavam. Jogavam cartas. Partilhavam histórias. Os telemóveis permaneciam nos bolsos.

Um jornalista decidiu entrevistar a proprietária.

– Qual é o segredo deste lugar?

Ela sorriu.

– Nenhum.

As pessoas têm fome de muitas coisas. Mas a maior fome continua a ser a de presença.

Meses depois, o Café Horizonte tornou-se o espaço mais procurado da cidade. Não porque oferecesse mais distrações. Mas porque oferecia aquilo que começava a faltar em todo o lado: Tempo.

Ligação ao Tema

Maria escolhe permanecer junto de Jesus. Não faz nada produtivo. Apenas está presente. Numa sociedade centrada na eficácia, o Evangelho recorda o valor da relação. O Café Horizonte torna-se uma bela imagem de Betânia: um lugar onde a presença vale mais do que a distração e onde o encontro é mais importante do que a agitação.

Questões para Reflexão

  1. O Café Horizonte também não oferece nada de novo, só retira as distrações que já existiam. Na minha vida, o que preciso de retirar (e não de acrescentar) para conseguir estar verdadeiramente presente?
  2. A dona do café diz que "a maior fome continua a ser a de presença", mesmo numa sociedade cheia de ligações constantes. Sinto essa mesma fome em mim, de ser simplesmente acompanhado, sem necessidade de "render" nada?
  3. Quando estou com os outros, sei simplesmente estar ou tendo a ocupar-me sempre com tarefas?
  4. Nas coisas que faço pelos outros (família, trabalho, amigos), consigo distinguir quando estou a servir com paz e quando estou apenas ocupado a fugir de parar e estar presente?