Recurso complementar

O Telefone Sem Número

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Na cidade de Aurora existia uma antiga cabine telefónica abandonada. Não tinha fios. Não recebia chamadas. Não transmitia vozes. Não tinha sequer número. Apesar disso, todas as manhãs aparecia uma nova mensagem escrita num pequeno quadro pendurado ao lado. Não eram mensagens extraordinárias. Frases simples. "Liga ao teu avô." "Pede desculpa." "Olha para o céu." "Escuta antes de responder." As pessoas passavam e sorriam. Algumas ignoravam. Outras seguiam o conselho. Numa tarde, Sofia decidiu investigar. Passou horas escondida à espera de descobrir quem deixava aquelas mensagens. Ninguém apareceu. No dia seguinte voltou. Nada. Na terceira visita encontrou apenas uma nova frase: "Às vezes procuramos quem fala quando devíamos escutar o que está a ser dito." Sofia ficou imóvel. Percebeu que passara anos à espera de grandes respostas. Talvez a vida fosse feita de pequenas chamadas que exigiam apenas coragem e que não precisavam de telefone para chegar ao coração.

Ligação ao Tema

Samuel procura compreender quem o chama. Inicialmente pensa que é Eli. Só depois descobre que a voz vem de Deus. Há momentos em que passamos mais tempo à procura de quem fala do que a escutar aquilo que nos está a ser dito. Samuel e Sofia mostram que a voz de Deus chega muitas vezes em sussurros quotidianos que exigem apenas disponibilidade para escutar.

Questões para Reflexão

  1. Na minha vida, tenho andado mais preocupado em identificar a origem de um convite (é Deus? é a consciência? é só acaso?) do que em responder-lhe? O que mudaria se me focasse primeiro na resposta?
  2. As mensagens do quadro são frases simples ("liga ao teu avô", "pede desculpa") não revelações grandiosas. Que "pequena chamada" tenho ouvido ou pressentido nos últimos dias, mas tenho adiado por parecer pequena demais para ser importante?
  3. Sofia conclui que passou "anos à espera de grandes respostas." Também eu, ao pensar num propósito, numa vocação ou numa decisão importante, tenho estado à espera de um sinal espetacular, quando talvez a resposta já esteja a chegar em frases simples do quotidiano? Como posso tornar-me mais disponível à voz de Deus?