Recurso complementar

O Guarda-Chuva Azul

Tipo
Contos
Modalidade
Grupo / Individual

Numa cidade onde chovia frequentemente, um rapaz chamado Rui possuía um enorme guarda-chuva azul. Era resistente, bonito e suficientemente grande para proteger duas ou três pessoas. Numa tarde de tempestade, Rui saiu da biblioteca e iniciou o caminho para casa. Pelo percurso encontrou várias pessoas molhadas. Uma senhora carregava sacos pesados. Um menino esperava junto a uma paragem. Um homem tentava proteger documentos importantes. Rui observou-os. Pensou em ajudar. Mas continuou. O guarda-chuva era novo. Não queria estragá-lo. Quando finalmente chegou a casa, estava completamente seco. Mas sentia um estranho desconforto. Na semana seguinte voltou a chover. Ao sair da biblioteca encontrou uma menina encharcada junto à porta. Sem pensar muito, aproximou-se.

– Queres vir comigo?

A menina sorriu. Durante o caminho conversaram. Pouco depois juntou-se outra pessoa. E mais outra.

Quando chegaram ao centro da cidade, caminhavam cinco pessoas debaixo do mesmo guarda-chuva. Rui chegou a casa molhado pela primeira vez. E feliz. Pela primeira vez.

Ligação ao Tema

O que transforma um guarda-chuva num instrumento de amor? Não é o objeto, mas a decisão de o abrir também para os outros. É precisamente essa mudança que o Evangelho propõe através da parábola do Bom Samaritano. Rui aprende que os recursos só encontram verdadeiro sentido quando são colocados ao serviço dos outros. O guarda-chuva simboliza talentos, tempo, capacidades e oportunidades que podem ser partilhados.

Questões para Reflexão

  1. Na primeira tempestade, Rui vê a senhora, o menino e o homem, mas o texto diz que “observou” e “pensou em ajudar”. No Evangelho, o sacerdote e o levita também veem o homem ferido e passam ao lado. O que é que me leva, a mim, a “ver” uma necessidade e mesmo assim seguir em frente? É medo, comodismo, ou outra coisa?
  2. Rui só se aproxima da menina quando age “sem pensar muito”. Jesus conta a parábola para responder a “quem é o meu próximo?”, mas talvez a verdadeira pergunta seja outra: como é que me torno próximo? Nas minhas relações, costumo esperar para calcular o “custo” de ajudar (o guarda-chuva que se pode estragar), ou ajo primeiro e penso depois?
  3. Há algum conforto ou ‘secura’ na minha vida que, se arriscasse perder por causa de alguém, me traria mais alegria do que segurança?