O Batismo de Jesus e o nosso batismo

Um dos líquidos mais procurados nas expedições a outros planetas é a água, pois é a fonte de vida de todos os seres vivos. Ela é fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo e essencial para a vida do planeta. Por causa disso, devemos preservar o ciclo vital da água e da natureza. A poluição da água representa uma ameaça real à qualidade da água, à saúde e ao meio ambiente. No entanto, a água também tem um valor simbólico e ritual em várias religiões.

Na Bíblia, muitas são as referências que envolvem a água e as manifestações de Deus na história do seu povo. No Novo Testamento, o batismo de Jesus é um sinal da manifestação de Deus que envolve a simbologia da água. João Batista realizava um batismo penitencial com o intuito de preparar o povo para a vinda do Reino de Deus. No caso do batismo de Jesus, o sentido penitencial deu lugar à manifestação da sua unção e missão e marcou o início da sua vida pública.

Os evangelistas oferecem-nos elementos importantes sobre esse acontecimento (Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,31-34). O batismo acontece em Nazaré da Galileia, nas águas do rio Jordão. É realizado por João Batista. Depois que Jesus sai da água, acontecem três sinais: o céu se abre; o Espírito Santo desce, como pomba, sobre ele; e do céu se ouve uma voz: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada.” O evangelista João ainda acrescenta que Jesus é “o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”, e que foi batizado por ele para manifestar ao povo que Jesus é aquele que batizará com o Espírito Santo, pois ele é o Filho de Deus.

Todos esses aspectos nos ajudam a compreender o significado do batismo de Jesus. Esses sinais, conhecidos também como as teofanias do batismo de Jesus, são manifestações visíveis e audíveis do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Revelam que Jesus é o Filho de Deus; por isso, o “céu se abre” e o Espírito Santo pousa sobre o Filho eleito. Na transfiguração, somos convidados a ouvir sua mensagem: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o sempre!” (Mt 17,1-13; Lc 9,28-36).

Entretanto, o apóstolo Pedro recordará, em sua pregação, o significado da imersão no Jordão: “Depois do batismo que João pregou, Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demônio, porque Deus estava com ele” (At 10,37-39). Portanto, Jesus é o ungido de Deus, isto é, o Messias (ou “Cristo”, em grego), mas também é aquele que atua fazendo o bem em nome de Deus.

Outro aspecto importante da teofania do batismo de Jesus é a origem trinitária da sua missão. De facto, Jesus Cristo não atua sozinho, mas na comunhão com o Pai e o Espírito Santo. Após sua morte e ressurreição, Jesus realizou o batismo no Espírito Santo (At 1,5; 2,1-13), que marcou o nascimento da Igreja: a comunidade dos batizados que continua a sua missão no mundo, por meio do anúncio e do batismo em nome da Santíssima Trindade (Mt 28,19-20). Entretanto, todos nós, batizados, fomos mergulhados no mistério pascal de Jesus Cristo: morremos ao pecado e ressuscitamos como filhos amados de Deus. Como nos recorda São Paulo: “Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, pois todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gl 3,26-27). Por conseguinte, por meio do batismo somos chamados ao seguimento de Jesus Cristo na Igreja e no mundo.

Sugestão de leitura: O batismo (Rm 6,1-11).

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