A palavra “sinal” acumula múltiplos significados que se desdobram dependendo das circunstâncias do seu uso. Dentre os diversos significados, neste texto, entendemos sinal como: uma coisa que chama outra à memória, que recorda, que faz lembrar. No dia a dia, entre as pessoas, é muito comum ouvir-se: “dá-me um sinal para eu não me esquecer!”, “faz-me só um sinal”, “dá-me o sinal”. De facto, o sinal é muito importante para nós, pois carrega em si comunicação, com uma mensagem específica, que em alguns casos pode salvar vidas, como é o caso do sinal universal de SOS.
Na época de Jesus havia uma grande expectativa em torno da vinda do Messias (o Enviado de Deus); por essa razão, muitos gostariam de ver um sinal que confirmasse isso mesmo. Assim sendo, “alguns escribas e fariseus diziam: ‘Mestre, queremos ver um sinal feito por ti’. Ele respondeu: […] nenhum sinal será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois, como Jonas esteve no ventre do monstro marinho três dias e três noites, assim ficará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra” (Mt 12,38-41; Lc 11,29-32).
Por outro lado, sabemos que Jesus realizou outros sinais, também chamados de milagres. Por exemplo, no Evangelho de São João encontramos a transformação da água em vinho (Jo 2,1-11), a cura do filho do oficial (Jo 4,46-54), a cura do paralítico em Betesda (Jo 5,1-15), a multiplicação dos pães (Jo 6,5-13), a caminhada sobre as águas durante a tempestade (Jo 6,16-21), a cura do cego de nascença (Jo 9,1-7) e a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-44).
Evidentemente, esses sinais, assim como todos os que se encontram nos outros Evangelhos, manifestam que Jesus Cristo é o Messias; mas, sobretudo, indicam que o Reino de Deus já está presente, visto que são realizados por Jesus Cristo: o Emanuel (Deus conosco). Por isso, quando os discípulos de João Batista vão perguntar a Jesus se Ele era aquele que havia de vir ou deveriam esperar outro, Ele respondeu: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho” (Lc 7,18-23).
Entretanto, há algo importante na resposta de Jesus aos escribas e fariseus. A referência que Ele fez ao profeta Jonas (Jn 2,1) é uma alusão ao intervalo entre a sua morte e ressurreição. É, portanto, um modo “velado” do anúncio da vitória final de Jesus Cristo: isto é, a sua ressurreição dos mortos. Por isso, para um cristão o terceiro dia (o domingo) é o dia do Senhor. Portanto, podemos afirmar que a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo é, para nós, o sinal mais importante que Ele indicou.
Hoje, nós, como Igreja, anunciamos e celebramos a vitória de Cristo na celebração dos sete sacramentos, de modo particular na Missa, onde fazemos memória do mistério pascal de Jesus Cristo (paixão, morte e ressurreição). Essa memória viva do Senhor (Lc 22,19-20) e o desejo ardente de Cristo de estar connosco (Lc 22,14-18) fazem-nos recordar o sinal de Jesus. Mas trata-se de um sinal vivo, pois Cristo Ressuscitado está sempre presente e vem ao nosso encontro, fala-nos e toca o nosso coração. Por isso, é importante acolher o sinal do Crucificado-Ressuscitado, participando ativamente na Missa com todo o nosso ser: com gestos, palavras, silêncio, cantos etc. Afinal, a celebração da Missa é o grande sinal de que Jesus vivo e ressuscitado está sempre connosco (Mt 28,20).
Sugestão de leitura: “Ceia do Senhor” (1Cor 11,23-26).








