VEJO AS PESSOAS, QUE PARECEM ÁRVORES A ANDAR

Rui Santiago, cssr (texto), Miguel Cardoso (fotografia) | mar 20, 2017

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Pai Nosso, lembrei-me daquela passagem do teu Jesus com o cego que lhe levaram para que ele lhe tocasse. Era simples: toca-lhe, impõe-lhe as mãos. Mas Jesus “é todo Pai”, e tem olhos de ver as coisas sempre de uma maneira nova… O evangelista conta que lhe pegou na mão e se afastou com ele até um lugar em que pudessem estar a sós. Era simples: toca-lhe, impõe-lhe as mãos. Mas Jesus quer tocar mais fundo e mais dentro na nossa vida, porque ele não funciona na lógica dos milagres mas na lógica da intimidade. Há uma maneira de tocar que se chama “face-a-face”. É no face-a-face que são ven­cidas as nossas cegueiras, porque nos caem as escamas dos olhos quando existe alguém diante de nós, com todo o tempo e gentileza, a pedir para ser visto. Somos curados da cegueira pelo rosto dos outros, como aquele cego do evangelho foi curado da sua pelo face-a-face inventado por Jesus, com toda a demora e ternura. Então, ele “começou a ver”, e fez uma das afirma­ções mais curiosas: “Vejo as pessoas, que parecem árvores a andar!” Deus de toda a Bondade, foi para aqui que viajei, para estas “árvores a andar”… Esta “cura a dois tempos” que o evangelista conta é uma maneira muito bo­nita de nos serenar as pressas, de nos confidenciar que a conversão que Jesus nos pede é sempre um face-a-face libertador que precisa de tempo e de processo. Tudo começa com uma caminhada, ainda às cegas, pela mão de Jesus, e é neste deixar-se levar que a nossa vida entra em processo de mudança. São incríveis as catequeses e símbolos dos evangelhos, Pai!

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Olha, ABBA, não deixes que nos assustemos com pouco. Nem com mui­to. Que a confiança vença sempre, que a esperança na vocação da terra à felicidade tome conta de nós até nós darmos conta do recado que é con­verter-se ao Amor. Entretanto, que o clamor da terra por essa felicidade suba por nós acima, que se envolva nas nossas pernas e nos rodeie, que a era prometida se faça por agora a hera da promessa, envolva os nossos rins como cinturão cingido, arme o nosso tronco como couraça, apanhe as nossas mãos e as abra de uma vez para sempre…

Oh Deus, oh ABBA, tão fiel e tão bom, a vida faz tanto mais sentido se levar­mos a sério a Esperança! (cf. Mc 8,22-26)

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