O tamanho do meu equívoco

Rui Santiago, cssr (texto), Miguel Cardoso (fotografia) | abr 01, 2016
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Já viste, Senhor, o tamanho desta torre que eu construí?! Fantástica, não é? Comparada com aquelas montanhas lá ao fundo, passa-as ainda dois palmos para cima. Trabalhinho me deu… Sobretudo aquelas pedras de baixo mais pesadas puxaram-me pelo corpo. E depois a minúcia do encaixe das outras, alinhadinhas, compostinhas, sempre a subir. É enorme esta montanha que eu levantei com as minhas próprias mãos, não é?

Já viste, Senhor, o tamanho do meu equívoco?! Fantástico, não é? Já viste a altura do meu engano? A gente muitas vezes se mete em enganos destes, destamanhamos as coisas num inacreditável falhanço de perspetiva! Ficamos abismados diante dos nossos castelos infantis e começamos a pensar que somos os maiores das redondezas. Ainda que tudo à volta seja feito de grandezas e belezas, não temos olhos para mais do que o nosso próprio tamanho aumentado num jogo de falsas perspetivas. Sabes, Pai Nosso, já acordei há uns tempos para a importância de não nos levarmos tão a sério… Poucas coisas há mais libertadoras do que a descoberta da própria desimportância!

Poucas coisas há mais elegantes que a humildade. Porque é isso mesmo que é a humildade: a elegância das pessoas verdadeiramente livres. O teu Jesus é que é Mestre nestas coisas: “Quem quiser ser o maior, faça-se pequeno… Quem quiser ser grande, ponha-se a servir!” É verdade que é preciso crescer muito por dentro para alguém se tornar grande. É preciso ser verdadeiramente grande para deixar de querer ser o maior.

Mas a gente confunde-se… Mas eu confundo-me… Desculpa. Dá-me a perspetiva correta diante da vida que me rodeia, e assim começarei a dar de caras com tanta grandeza que me visita, com tanta gente bonita que me aparece, com tantas boas notícias que acontecem no mundo todos os dias e que raramente fazem páginas de jornais. Esse Olhar chama-se “Graça”; essa Perspetiva chama-se “Gratidão”; essa Sabedoria chama-se “Humildade”.

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E Tu chamas-te ABBA, e é lindo assim.  

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