Meetup Digital de Comunicação Salesiano: sessão com o Pe. Gildásio dos Santos Mendes

O padre Gildásio Mendes dos Santos, Conselheiro Mundial do Reitor-Mor para a Comunicação Social foi o orador do terceiro dia do Meetup Digital de Comunicação Salesiano, que juntou mais de 50 participantes das diferentes presenças salesianas.

O orador começou por louvar a iniciativa do Meetup destacando também o bom trabalho feito na área da Comunicação. “Em todas as comunidades, tenho reunido com as equipas da comunicação e pude ver muita qualidade e originalidade”.

Sem se focar num único tema, o Pe. Gildásio iniciou a sua apresentação referindo que esta seria sobre diversos temas que tem “escrito e partilhado a nível mundial”, mais voltados para o “storytelling”.

Imaginação espacial

Centrando-se na narrativa, o orador começou por referir que este é, desde os primórdios, o “elemento fundamental para comunicar”, salientando que esta tem uma “força muito grande na imaginação espacial”. Surgia assim o primeiro conceito: “imaginação espacial”.

Quando desenhamos formas ou usamos cores recorremos à imaginação espacial, que tem uma gramática própria: quadrados e círculos. Desta forma, aprendemos com imagens ou traços. Tal como indicou o Conselheiro Mundial, “a imaginação espacial orienta-nos”.

Por outro lado, no nosso cérebro, processamos tudo com recurso a mapas mentais e também no mundo digital estes mapas são orientadores. “De acordo com o conceito de imaginação espacial, desde crianças aprendemos a organizar o pensamento através do mapeamento”., sublinhou o orador. Dessa forma, ao contar uma história é proposta uma sequência de factos visuais. “Este é um processo inconsciente”, explicou. “A história da Igreja tem excelentes exemplos de narrativas visuais. A força da Via-Sacra ou da Eucaristia, são disso exemplos”.

Imaginação afetiva

A imaginação espacial não funciona por si só, ela é marcada pela “imaginação afetiva”, referiu o orador. Estava desta forma introduzido o segundo conceito: “imaginação afetiva”.

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O conceito de que a inteligência não é emocional está já ultrapassado, hoje, acreditamos que a inteligência é emocional e tem “poder afetivo”. Fazendo uma ligação ao conceito anterior, Pe. Gildásio sublinhou que a imaginação espacial trabalha a partir da “expressão da afetividade”, seja ela estética, de amor ou das artes. Assim, quando criamos conteúdos para comunicar, o nosso ponto de partida deverá ser sempre “a imaginação espacial plena de afetividade”, concluiu.  Quando recorremos à imaginação afetiva é fácil contar uma história isto porque somos capazes de apresentar uma “sequência de factos que são visuais”, destacou o conselheiro mundial.

D. Bosco usava os sonhos para comunicar, pois eles são exemplos de “roteiros de imagens, de sentimentos e de emoções que tocam a imaginação afetiva”, sublinhou o orador.

Imersão

Graças à imaginação afetiva é possível tocar todos os sentidos. Desta forma, estamos a experienciar o que chamamos, em comunicação, de imersão. “Diante da realidade entramos com os cinco sentidos humanos numa história, numa imagem ou num ritual”, referiu o padre Gildásio. E continuou: “a comunicação acontece quando favorecemos a entrada dos cinco sentidos nela”. Estava, assim, introduzido o terceiro conceito: “imersão”.

Quando narramos apenas ao nível do conceito é mais complicado para as pessoas compreenderem a mensagem que pretendemos transmitir, assim, qualquer elemento de comunicação deve incluir os sentidos, recorrendo a imagens, sons ou cores. Um bom exemplo disto é Jesus e as suas parábolas: “Jesus levava todos os que O escutavam a usar os cinco sentidos”, destacou o Conselheiro.

D. Bosco, por seu lado, também apostava nesta comunicação imersiva, através dos seus sonhos.

Mundo digital

Em jeito de conclusão, o padre Gildásio destacou a utilização e aplicação destes conceitos também ao mundo digital. Trabalhado a imaginação espacial, o Tik Tok, por exemplo, apresenta vídeos rápidos que incluem as emoções.

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Em suma, ao comunicarmos devemos partir sempre da imaginação espacial e não da lógica: “a mensagem é consequência e nasce lá dentro”, referiu o conselheiro.

No final da sessão, o Pe. Rui Alberto, delegado provincial da Comunicação Social e diretor editorial das Edições Salesianas, agradeceu ao padre Gildásio a “partilha estimulante”, que nos permitiu ganhar “mais competências” para continuarmos a “comunicação salesiana, ao jeito de D. Bosco”.

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