Reitor-Mor dos Salesianos, Pe. Ángel Fernández Artime com jovens durante o Capítulo Geral 28

Mensagem do Reitor-Mor ao jovens por ocasião da Festa de D. Bosco (2021)

Meus caros jovens,

a alegria é um elemento central na vida de um cristão.

Dirijo a cada um de vós, nos cinco continentes, a minha afetuosa saudação: a vós, jovens do “mundo salesiano” e a todos os jovens que, por meio de vós, hão de receber esta mensagem.

No artigo 17 das Constituições dos Salesianos de Dom Bosco, intitulado “Otimismo e alegria”, lemos: “Já que anuncia a Boa Nova, [o Salesiano] está sempre alegre. Ele difunde essa alegria e sabe educar à felicidade da vida cristã e ao sentido de festa”. Tenho a certeza de que esta é uma regra de vida para nós, salesianos, e para todos os membros da nossa Família Salesiana: é algo de belo, que pertence à nossa identidade carismática. E como eu gostaria, queridos jovens, que isto fosse assim também nas vossas vidas!

Quero falar-vos dessa alegria profunda, que nasce de Deus e do estar radicados n’Ele. De facto, a nossa vocação cristã tem também a missão de levar alegria ao mundo: aquela alegria profunda e autêntica, que nunca termina, porque vem de Deus. Estou convencido de que vós, e muitos outros jovens como vós, desejais e, por vezes, precisais de ouvir que a mensagem cristã é uma mensagem de alegria e de esperança.

Meus caríssimos jovens, o nosso coração é feito para a alegria e para viver com esperança. É uma marca que trazemos do nascimento, intimamente impressa no mais fundo do coração de cada um de nós; trata-se de uma alegria autêntica e permanente, profunda e intensa, que dá ‘sabor’ à vida. Vós, ó jovens, que «sois o agora de Deus», como vos definiu o Papa Francisco[1], estais a viver uma etapa da vossa existência que se distingue pela descoberta da vida, de vós mesmos e dos vossos relacionamentos com os outros. Vós olhais para o futuro e tendes sonhos. O vosso desejo de felicidade, de amizade e de amor é intenso. Gostais de partilhar, ter ideais, traçar projetos. Tudo isto faz parte da juventude. Não estou a dizer que todos os jovens são assim. Há, infelizmente, jovens que estão bem longe de sonhar uma tal juventude, mas não devem nem podem renunciar a isso. Por outro lado, a vida é acompanhada por dons que Deus, nosso Pai, continuamente nos oferece: a alegria de viver, de ter saúde, de gozar das maravilhas da natureza.

A alegria da amizade e do amor autêntico, do trabalho bem feito, que cansa, mas que também dá sempre tanta satisfação, a alegria de uma atmosfera familiar feliz – ainda que nem todos dentre vós experimenteis isso em vossas vidas –; a alegria de se sentir compreendido, de servir os outros…

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É maravilhoso reconhecer-se nessa realidade, caros jovens, e descobrir que tudo isso não é fruto do acaso, mas algo desejado por Deus para cada um de nós, para cada um de vós, porque é Deus a origem e a fonte da verdadeira alegria. É belo descobrir na vida que somos aceites, acolhidos e amados por Deus. É belo que possais sentir no profundo do vosso coração que sois pessoalmente amados de Deus. É comovente para um jovem poder dizer a si mesmo esta grande verdade: «Deus ama-me, e ama-me incondicionalmente, de modo único e pessoal!». E a grande prova desse Amor é o encontro com o seu Filho, Jesus Cristo: n’Ele encontramos a alegria que buscamos. O encontro autêntico e verdadeiro com Jesus faz sempre nascer em todos uma grande alegria interior.

Enquanto escrevo isto, penso em vós, caríssimos jovens de outras religiões, que, talvez, não consigais perceber na vossa experiência pessoal aquilo de que estou a falar relativamente a Jesus, ainda que compreendais as minhas palavras. Entretanto, podeis viver esta experiência pessoal e íntima, qualquer que seja a vossa religião: Deus ama-vos, e ama-vos profundamente, porque pertence à essência de Deus amar imensamente tudo aquilo que Ele fez. E em tudo isso estais também vós: estou eu, está cada um de nós, cada um de vós, meus caros jovens.

Jovens amados por Deus, em qualquer lugar do mundo, qualquer que seja a vossa religião, abri o vosso coração a Deus, descobri que Deus é uma presença em vossa vida, que Ele é fiel, que Ele nunca vos há de abandonar. Podemos sempre encontrá-l’O na sua Palavra: «Quando se apresentavam as tuas palavras, eu devorava-as: as tuas palavras eram para mim contentamento e alegria do meu coração» (Jr 15,16). Ouvi a voz de Deus e a sua Palavra, e tereis tantas respostas para aquilo que levais na vossa mente e no vosso coração.

Como Dom Bosco – Pai e Mestre da Juventude do mundo – desejo convidar-vos, em seu nome, a ter a coragem de não vos afastar nunca de Deus, de optar por Ele em cada momento da vossa vida com generosidade, sem vos contentar com dar o mínimo, mas, ao invés, empenhando-vos em dar sempre o que de melhor tiverdes em vosso coração. A vossa vida, queridos jovens, é preciosa, e qualquer que seja a vocação a que Deus vos chama, será sempre uma vida que valerá a pena viver doando-vos no amor e serviço aos demais. Como diz o Papa Francisco, «Caros jovens, vós não tendes preço! Não sois peças de se leiloar em hasta pública! Por favor, não vos deixeis comprar, não vos deixeis seduzir, não vos deixeis escravizar pelas colonizações ideológicas que nos enfiam ideias estranhas na cabeça, que depois nos fazem escravos, dependentes, falidos na vida. Vós não tendes preço […]. Enamorai-vos desta liberdade que nos oferece Jesus».[2] Eu também me permito convidar-vos a terdes a coragem de viver as Bem-aventuranças que Jesus nos propõe no Evangelho: são um modo esplêndido de viver o Evangelho com feições e maneiras diferentes e que nos levam a ser felizes em Cristo.

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Imitando Dom Bosco, desejo propor-vos, como disse no Lema deste ano, que sejais entusiastas em viver a vida como uma festa e a Fé como felicidade. Dom Bosco propô-la a si mesmo e tornou-a realidade com seus rapazes em Valdocco. Hoje, aquele Valdocco da festa e da alegria pode ser cada um dos lugares e das casas salesianas ou não salesianas em que vos achardes. Peço-vos: tornai-vos missionários da alegria, porque sois discípulos-missionários de Jesus. Dizei, pois, aos vossos amigos e aos outros jovens, que encontrastes esse tesouro precioso que é o mesmo Jesus. Contagiai a todos com a alegria e com a esperança que nasce da Fé. Sede missionários para outros jovens, como propunha Dom Bosco aos seus rapazes de Valdocco, levando –  a quem não está bem, a quem sofre, aos mais pobres, a quem ‘não tem uma oportunidade’ – a alegria que o Senhor Jesus quer dar a todos. Levai esta mesma alegria às vossas famílias, às vossas escolas ou universidades; falai dela nos vossos ambientes de trabalho e entre os vossos amigos. E vereis que, se a alegria que tendes no coração vem de Deus, tornar-se-á realmente contagiante, maravilhosamente contagiante, porque geradora de vida.

Depois do que vos disse, não vos parece fácil compreender aquilo que dizia Domingos Sávio em Valdocco “Nós aqui fazemos consistir a santidade em estar sempre alegres!”?

Maria, Mãe e Auxiliadora – que acolheu em si o Senhor e O anunciou com um hino de louvor e alegria: «A minha alma engrandece o Senhor e exulta o meu espírito em Deus, meu Salvador» (Lc 1,46s) – nos acompanhe a todos neste nosso caminhar.

Qual é a alegria que ressoa hoje em vossos corações, meus caros jovens?

Sede felizes aqui e na eternidade, como dizia Dom Bosco!

Abençoo-vos e saúdo-vos com verdadeiro e profundo afeto,

Ángel Fernández Artime
Reitor-Mor


[1] Francesco, Omelia nella Santa Messa per la Giornata Mondiale della Gioventù, Campo San Juan Pablo II – Metro Park (Panama), 27 gennaio 2019. Anche nella Esortazione Apostolica Postsinodale il Papa prende queste parole come titolo del capitolo III.

[2] Francesco, ChV, 122.

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