|

Pedro Juan Caballero e PontaPorã
- cidades irmãs. |
A experiência de acampar sozinho foi
fantástica.
Aprendi o que eu já sabia por ouvir
dizer. É possível viajar muito com pouco
dinheiro. Há muita gente boa neste nosso
mundo. É impressionante ver o carinho e
a admiração que as pessoas têm pelo
ciclista, ou melhor, pelo ciclista
viajante ou ciclo turista. Sobretudo se
este ciclista já tiver cabelos brancos e
uma barba de papel noel, como muitas
vezes as crianças me chamam na estrada.
A quantidade de motoristas que buzinam e
acenam com a mão é algo de
impressionante. Sem contar aqueles que
param para conversar.
Em
Bonito -MS, fui muito bem acolhido na
Pousada Sonho Meu
http://www.pousadasonhomeu.com.br/
pela Dona Alda que além de me permitir
armar a barraca dentro de uma grande
área coberta com cozinha, banheiro e
muito conforto, ainda me agraciava cada
manhã com um delicioso café. Assim pude
pernoitar quatro noites e me
restabelecer de uma assadura contraída
nos três primeiros dias de pedalada por
culpa de alguém que mexeu na posição do
meu selim em Campo Grande.
|

Aldemir, Valdo, Arlindo e
Sebastiana |
A
Elane, funcionária da Pousada Sonho Meu,
ao saber que eu ia para Ponta Porã
ofereceu-me pousada na casa dos pais
dela. Ao chegar em Ponta Porã o Sr
Arlindo e Dona Sebastiana já estavam à
minha espera, mas não me deixaram armar
a barraca. Tinham preparado o quarto de
hóspedes para mim. Que família
fantástica. O Éder um dos filhos que é
jornalista publicou um artigo no jornal
O Progresso de Ponta Porã com o título: Aventura em
duas rodas. (ler o artigo).
O
Aldemir, genro do Sr. Arlindo que é
diretor de imagens da TV Morena fez
uma reportagem que passou na TV Globo
local. Fiquei famoso em Ponta Porã.
|

Camilo vendo as fotos no
pátio da casa. |
No Paraguai um motoqueiro, Camilo Borja, parou perto de
mim, perguntou se eu falava castellano e
me convidou para tomar um Terere na sua
casa. Ao ver os mues álbns de tofos,
ficou muuit admirado de eu ter pdalado
no "fin del mundo". Juntou-se
logo bastante gente, das casas vizinas,
inclusive duas famílias de brasileiros
que moravam ali perto. Quando eu já
estava para seguir minha viagem, fui
convidado para saborear
um prato típico do Paraguai, o Cloclo,
uma verdadeira delícia. Conheci
toda a família: a esposa Blanca de Nieve
e os filhos: Berta Beatriz, Richad
Martins, Johny Walter e Iris Pamela.
|

Derlis e esposa em Caacupe -
Paraguai |
Ao chegar perto de Caacupe um motorista,
Derlis,
parou no acostamento para conversar, viu
um álbum de foto e depois me deu um
cartão convidando-me para ir até a sua
casa que ele queria ver os outros
álbuns. Quando cheguei no endereço que
ele me tinha dado, uma tornearia
mecânica, ele tinha saído mas a esposa
dele já estava me esperando. Ofereceram
logo três sanduíches e depois um
chuveiro para tomar um bom banho. A
seguir ele me arrumou um apartamento na
casa de retiro que fica nos fundos da
casa dele onde pude pernoitar 4 noites e
desfrutar de lindos passeios de carro
com ele.
O que mais me impressionou foi o carinho
com que os paraguaios me trataram. Quem
quiser pedalar pelo Paraguai, não tenha
dúvidas, o melhor lugar para acampar é
sempre na polícia, seja a polícia
caminera seja no Comisariado de policia.
São muito atenciosos e você tem total
segurança com a bicicleta. Em alguns
lugares me ofereceram cama e em outros
me ofereceram comida. Vamos compartilhar
um assado, diziam eles.
|
A Virgem de
Caacupe
|

Virgem de Caacupe |
Um dia antes do
ano de 1603, um índio cristão,
escultor de profissão, tinha ido
ao bosque para buscar barro. Uns
integrantes da aldeia inimiga do
índio cristão, os Mbayaes, o
encontraram e o perseguiram com
a intenção de mata-lo.
Vendo-se em grave
perigo, o índio subiu numa
árvore frondosa, e quase na
copa, prometeu à Santíssima
Virgem, que se ele se salvasse
daquele perigo, entalharia uma
imagem da Virgem com a madeira
daquela árvore.
Por obra divina o
índio se salvou e cumpriu sua
promessa. Fez duas imagens, uma
pequena para ele e outra grande
para a igreja de Tobati. Esta
última se perdeue a pequena foi
encontrada dentro de uma mala de
coro durante uma grande
inundação na região.
|

Basílica da Virgem de
Caacupe |
Depois de ter
passado por várias mãos, “la
Virgencita” teve finalmente o
seu Santuário que foi construído
em 1765, e é o que atualmente
existe, várias vezes ampliado e
transformado.
Caacupé...
é a palavra que significa:
"atrás dos montes". |
|

David e Dina em Ciudad del Este |
 |
Ao
chegar perto da Ciudad del Este parei
para fotografar uma placa. Quando ia
reiniciar a viagem, um carro parou e o
motorista David acompanhado da namorada
Dina saíram do carro e vieram conversar
comigo. Mostrei as fotos e pela enésima
vez a cena se repetia. Admiração,
elogios, espanto. Ele me perguntou onde
eu ia me hospedar e eu disse que ia
procurar uma amigo em Foz do Iguaçu.
Então ele me deu o endereço dele e me
disse: - Se o senhor quiser pode se
hospedar na minha casa. Aceitei o
convite pois queria visitar a Ciudad del
Este com calma. Meia hora mais tarde eu
cheguei e a Dina estava me esperando na
calçada. Fomos até a Universidad
Católica assistir a uma conferência
sobre demonologia apresentada por um
padre espanhol. Na parte da tarde
assistimos ao jogo do Brasil. No dia
seguinte visitei a cidade e aproveitei
para comprar algumas coisas. À noite
fomos a um jantar de despedida do
professor do David que tinha concluído
um curso de mecânica de automóveis. É
difícil descrever o carinho e a atenção
com que fui tratado pelos dois jovens.
|

Acampamento num posto de
gasolina na BR 277 |

Bicicleta e reboque dentro
da barraca para maior
segurança. |
No Brasil o melhor lugar são os postos
de gasolina fora da cidade. Por
segurança eu coloco o trailer dentro da
barraca e peço para guardar a bicicleta
num lugar seguro. Quando isto não é
possível, basta tirar a roda dianteira e
o selim e colocar a bicicleta dentro da barraca. Tenho uma barraca da
Fox para 2/3 pessoas que tem espaço
suficiente.

Uma pose para a foto com o
Roque, proprietário do Mercado,
ao lado de sua bicicleta. |
Encontrei um pouco de dificuldade na
Ruta 2 e Ruta 7 que vai de Assunção a
Ciudad del Este por causa da quantidade
absurda de lombadas que existem no
acostamento. No Paraguai as motos também
viajam pelo acostamento e travam uma
batalha constante com as lombadas. Para
desviar das lombadas que estão a cada 50
metros é necessário entrar na pista, mas
quando vem um carro ou caminhão o jeito
é passar por cima delas mesmo.
|

Placa na Comunidade Indígena na
BR 277 |
Este fenômeno acontece em menor número
também no Brasil, na BR 277. Sempre que
tem uma serra não é possível viajar pelo
acostamento. Total falta de critério.
Diga-se de
passagem que o acostamento da BR 277, na
sua maioria, é um desastre. Ondulado,
esburacado e cheio de sujeira. E isto
porque desde Foz do Iguaçu até Curitiba
tem 11 pedágios. Em alguns lugares o
perigo é ainda maior, porque o
acostamento está bom, limpo e de repete,
no meio de uma descida aparece uma
lombada sem aviso nenhum. Não sei
quantas vezes tive que saltar por cima
das lombadas a mais de 30 km/h com a
bicicleta carregada. Ainda bem que o meu
trailer tem um bom amortecedor.
|

Cláudio e Valdo |

Bruno e Valdo |

valdo e um menino morador do
local |
Entre as muitas vezes que fui parado por
motoristas para ser cumprimentado e para
oferecer informação, uma teve um caráter
particular. Aconteceu perto de
Guarapuava. Um carro da USI – TEC
Usinagem e Tecnologia conduzido pelos
representantes Cláudio e Bruno, da
cidade de Dois Vizinhos, parou no
acostamento, na minha frente. Queriam
conversar comigo. Já tinham passado por
mim de manhã cedo e agora voltaram
somente para me conhecer. Como eu estava
usando uma camisa de cor vermelha e
azul, pensaram que eu fosse americano.
Depois de uma longa conversa e de
admirarem as minhas fotos,se
prontificaram a me apoiar na minha
viagem de volta ao mundo. Certamente
eles serão os meus primeiros padrinhos a
me oferecer suporte financeiro. Como
estou me preparado para dar a volta ao
mundo de bicicleta, qualquer ajuda será
sempre muito bem vinda.
|

Chegada em Curitiba no dia
25/06/06 com 7 quilos a
menos. |
|