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Projeto Volta ao Mundo de Bicicletra Pedalando Pela Paz
 

Paraguai/Brasil = 2.106 km

 

 

Viagem econômica


Marco das três fronteiras
Brasl - Paraguai - Argentina

2.106 km em 34 dias com R$ 136,00.

Origem = Campo Grande MS
Destino = Curitiba PR
Início da viagem em Campo Grande MS, dia 20/05/06
Chegada em Curitiba PR, 25/06/06

Gasto com alojamento e comida = R$ 136,00
Média de R$ 4,00 por dia
Acampamento em postos de gasolina = 15 noites
Acampamento na Policia Paraguaia = 6 noites
Dormidas em cama em casa de família = 12 noites

 

roteiro

Campo Grande – Bonito (4 noites)
Bonito – Ponta Porã (4 noites)
Ponta Porã (Pedro Juan Caballero) – Caacupe – PY a 54 km de assunção (4 noites)

Caacupe – Ciudad del Este (2 noites)
Ciudad del Este – Foz do Iguaçu (4 noites)

Foz do Iguaçu Curitiba.

dados complementares

Distância total = 2.106
Tempo de pedalada = 274:19 h
Velocidade média = 15.75 km/h

Total pedalado desde o dia 13 de maio de 2003 até odia 24/06/06 = 24.675 km

 

objetivo da viagem

  1. Conhecer Bonito MS

  2.  Atravessar o Paraguai para completar 5 países em bicicleta

  3. Fazer a experiência de acampar sozinho

 

relato da viagem


Pedro Juan Caballero e PontaPorã - cidades irmãs.

A experiência de acampar sozinho foi fantástica.

Aprendi o que eu já sabia por ouvir dizer. É possível viajar muito com pouco dinheiro. Há muita gente boa neste nosso mundo. É impressionante ver o carinho e a admiração que as pessoas têm pelo ciclista, ou melhor, pelo ciclista viajante ou ciclo turista. Sobretudo se este ciclista já tiver cabelos brancos e uma barba de papel noel, como muitas vezes as crianças me chamam na estrada.  

A quantidade de motoristas que buzinam e acenam com a mão é algo de impressionante. Sem contar aqueles que param para conversar.  

Em Bonito -MS, fui muito bem acolhido na Pousada Sonho Meu http://www.pousadasonhomeu.com.br/ pela Dona Alda que além de me permitir armar a barraca dentro de uma grande área coberta com cozinha, banheiro e muito conforto, ainda me agraciava cada manhã com um delicioso café. Assim pude pernoitar quatro noites e me restabelecer de uma assadura contraída nos três primeiros dias de pedalada por culpa de alguém que mexeu na posição do meu selim em Campo Grande.


Aldemir, Valdo, Arlindo e Sebastiana

A Elane, funcionária da Pousada Sonho Meu, ao saber que eu ia para Ponta Porã ofereceu-me pousada na casa dos pais dela. Ao chegar em Ponta Porã o Sr Arlindo e Dona Sebastiana já estavam à minha espera, mas não me deixaram armar a barraca. Tinham preparado o quarto de hóspedes para mim. Que família fantástica. O Éder um dos filhos que é jornalista publicou um artigo no jornal O Progresso de Ponta Porã com o título: Aventura em duas rodas. (ler o artigo).

O Aldemir, genro do Sr. Arlindo que é diretor de imagens da TV Morena fez uma reportagem que passou na TV Globo local. Fiquei famoso em Ponta Porã.


Camilo vendo as fotos no pátio da casa.

 

No Paraguai um motoqueiro, Camilo Borja, parou perto de mim, perguntou se eu falava castellano e me convidou para tomar um Terere na sua casa. Ao ver os mues álbns de tofos, ficou muuit admirado de eu ter pdalado no "fin del mundo". Juntou-se logo bastante gente, das casas vizinas, inclusive duas famílias de brasileiros que moravam ali perto. Quando eu já estava para seguir minha viagem, fui convidado para saborear um prato típico do Paraguai, o Cloclo, uma verdadeira delícia.  Conheci toda a família: a esposa Blanca de Nieve e os filhos: Berta Beatriz, Richad Martins, Johny Walter e Iris Pamela.

 


Derlis e esposa em Caacupe - Paraguai

Ao chegar perto de Caacupe um motorista, Derlis, parou no acostamento para conversar, viu um álbum de foto e depois me deu um cartão convidando-me para ir até a sua casa que ele queria ver os outros álbuns. Quando cheguei no endereço que ele me tinha dado, uma tornearia mecânica, ele tinha saído mas a esposa dele já estava me esperando. Ofereceram logo três sanduíches e depois um chuveiro para tomar um bom banho. A seguir ele me arrumou um apartamento na casa de retiro que fica nos fundos da casa dele onde pude pernoitar 4 noites e desfrutar de lindos passeios de carro com ele.

O que mais me impressionou foi o carinho com que os paraguaios me trataram. Quem quiser pedalar pelo Paraguai, não tenha dúvidas, o melhor lugar para acampar é sempre na polícia, seja a polícia caminera seja no Comisariado de policia. São muito atenciosos e você tem total segurança com a bicicleta. Em alguns lugares me ofereceram cama e em outros me ofereceram comida. Vamos compartilhar um assado, diziam eles.

A Virgem de Caacupe


Virgem de Caacupe

Um dia antes do ano de 1603, um índio cristão, escultor de profissão, tinha ido ao bosque para buscar barro. Uns integrantes da aldeia inimiga do índio cristão, os Mbayaes, o encontraram e o perseguiram com a intenção de mata-lo.

Vendo-se em grave perigo, o índio subiu numa árvore frondosa, e quase na copa, prometeu à Santíssima Virgem, que se ele se salvasse daquele perigo, entalharia uma imagem da Virgem com a madeira daquela árvore.

Por obra divina o índio se salvou e cumpriu sua promessa. Fez duas imagens, uma pequena para ele e outra grande para a igreja de Tobati. Esta última se perdeue a pequena foi encontrada dentro de uma mala de coro durante uma grande inundação na região.

 


Basílica da Virgem de Caacupe

Depois de ter passado por várias mãos, “la Virgencita” teve finalmente o seu Santuário que foi construído em 1765, e é o que atualmente existe, várias vezes ampliado e transformado.

Caacupé... é a palavra que significa: "atrás dos montes".


David e Dina em Ciudad del Este

Ao chegar perto da Ciudad del Este parei para fotografar uma placa. Quando ia reiniciar a viagem, um carro parou e o motorista David acompanhado da namorada Dina saíram do carro e vieram conversar comigo. Mostrei as fotos e pela enésima vez a cena se repetia. Admiração, elogios, espanto. Ele me perguntou onde eu ia me hospedar e eu disse que ia procurar uma amigo em Foz do Iguaçu. Então ele me deu o endereço dele e me disse: - Se o senhor quiser pode se hospedar na minha casa. Aceitei o convite pois queria visitar a Ciudad del Este com calma. Meia hora mais tarde eu cheguei e a Dina estava me esperando na calçada. Fomos até a Universidad Católica assistir a uma conferência sobre demonologia apresentada por um padre espanhol. Na parte da tarde assistimos ao jogo do Brasil. No dia seguinte visitei a cidade e aproveitei para comprar algumas coisas. À noite fomos a um jantar de despedida do professor do David que tinha concluído um curso de mecânica de automóveis. É difícil descrever o carinho e a atenção com que fui tratado pelos dois jovens.

 


Acampamento num posto de gasolina na BR 277


Bicicleta e reboque dentro da barraca para maior segurança.

No Brasil o melhor lugar são os postos de gasolina fora da cidade. Por segurança eu coloco o trailer dentro da barraca e peço para guardar a bicicleta num lugar seguro. Quando isto não é possível, basta tirar a roda dianteira e o selim e colocar a bicicleta dentro da barraca. Tenho uma barraca da Fox para 2/3 pessoas que tem espaço suficiente.  


Uma pose para a foto com o Roque, proprietário do Mercado, ao lado de sua bicicleta.

Encontrei um pouco de dificuldade na Ruta 2 e Ruta 7 que vai de Assunção a Ciudad del Este por causa da quantidade absurda de lombadas que existem no acostamento. No Paraguai as motos também viajam pelo acostamento e travam uma batalha constante com as lombadas. Para desviar das lombadas que estão a cada 50 metros é necessário entrar na pista, mas quando vem um carro ou caminhão o jeito é passar por cima delas mesmo. 

 

 


Placa na Comunidade Indígena na BR 277

Este fenômeno acontece em menor número também no Brasil, na BR 277. Sempre que tem uma serra não é possível viajar pelo acostamento. Total falta de critério. Diga-se de passagem que o acostamento da BR 277, na sua maioria, é um desastre. Ondulado, esburacado e cheio de sujeira. E isto porque desde Foz do Iguaçu até Curitiba tem 11 pedágios. Em alguns lugares o perigo é ainda maior, porque o acostamento está bom, limpo e de repete, no meio de uma descida aparece uma lombada sem aviso nenhum. Não sei quantas vezes tive que saltar por cima das lombadas a mais de 30 km/h com a bicicleta carregada. Ainda bem que o meu trailer tem um bom amortecedor.

 

 


Cláudio e Valdo


Bruno e Valdo


valdo e um menino morador do local

Entre as muitas vezes que fui parado por motoristas para ser cumprimentado e para oferecer informação, uma teve um caráter particular. Aconteceu perto de Guarapuava. Um carro da USI – TEC Usinagem e Tecnologia conduzido pelos representantes Cláudio e Bruno, da cidade de Dois Vizinhos, parou no acostamento, na minha frente. Queriam conversar comigo. Já tinham passado por mim de manhã cedo e agora voltaram somente para me conhecer. Como eu estava usando uma camisa de cor vermelha e azul, pensaram que eu fosse americano. Depois de uma longa conversa e de admirarem as minhas fotos,se prontificaram a me apoiar na minha viagem de volta ao mundo. Certamente eles serão os meus primeiros padrinhos a me oferecer suporte financeiro. Como estou me preparado para dar a volta ao mundo de bicicleta, qualquer ajuda será sempre muito bem vinda.


Chegada em Curitiba no dia 25/06/06 com 7 quilos a menos.


Leia o artigo Aventura em duas rodas