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Formação
A vocação Salesiana A fim de contribuir para a salvação da juventude, «a porção mais delicada e preciosa da sociedade humana», o Espírito Santo, com a intervenção materna de Maria, suscitou S. João Bosco. Formou nele um coração de pai e mestre, capaz de uma dedicação total: «Prometi a Deus que até o meu último suspiro seria pelos meus queridos jovens». Para prolongar no tempo esta missão, guiou-o na criação de diversas forças apostólicas, entre as quais ocupa o primeiro lugar a nossa Sociedade. (C. 1) Desta presença activa do Espírito colhemos energia para a nossa fidelidade e apoio para a nossa esperança. A nossa vocação é marcada por um dom especial de Deus, a predilecção pelos jovens: «Basta que sejais jovens, para que eu vos ame intensamente» Este amor, expressão da caridade pastoral, dá sentido a toda a nossa vida. Pelo bem deles oferecemos generosamente tempo, dotes pessoais e saúde: «Por vós estudo, por vós trabalho, por vós vivo, por vós estou mesmo disposto a dar a vida» (C.14)
A identidade Salesiana A identidade salesiana e suas dimensões
As Constituições apresentam o carisma e a experiência vocacional vivida por Dom Bosco; contêm as riquezas espirituais da tradição salesiana, defendem seu projecto de vida e traçam o perfil do salesiano. No centro da personalidade do Salesiano está a caridade pastoral, fonte e cume de sua vida, que gera um duplo movimento de amor: Deus e os jovens. De facto, a caridade pastoral, por um lado une o salesiano profundamente a Deus com uma aliança expressa na consagração, inseparavelmente constituída pelo trabalho apostólico, a comunhão fraterna e a prática dos conselhos evangélicos. Por outro lado, como Dom Bosco, cada salesiano torna-se “pai, mestre e amigo” dos jovens para viver com eles o espírito de família e de alegria, e acompanhá-los no processo de crescimento com a proposta integral humana e cristã do Sistema Preventivo. A única vocação salesiana expressa-se de diferentes modos: como padre, como diácono e como coadjutor (irmão leigo). Existindo apenas uma consagração, uma mesma missão apostólica e uma vida comum, existe uma igualdade fundamental entre sacerdotes, diáconos e coadjutores na comunidade salesiana e na comunhão vocacional e solidariedade específica de ser salesiano. (cfr. C. 45)
Esta identidade do salesiano é ponto de referência para a formação, determina as dimensões, sugere as linhas do processo formativo e selecciona os princípios metodológicos. Cada salesiano, por meio da formação, encarna esta identidade numa experiência única e irrepetível, no contexto e na cultura em que vive e cresce. A tarefa formativa é sensível a diferentes valores, atitudes e conteúdos que conformam as diversas dimensões: humana, religiosa, intelectual e educativo-pastoral. Cada uma delas relaciona-se organicamente com as outras. A formação é essencialmente unitária e integral.
Na dimensão humana o salesiano está atento à saúde, dedica-se ao seu trabalho, tende constantemente ao equilíbrio psíquico e à maturidade afectiva, aumenta a sua capacidade social, a liberdade responsável e a abertura à realidade.
A dimensão religiosa centra a sua atenção nos valores da identificação com Cristo, segundo o espírito de Dom Bosco: a experiência de Deus, o sentido de Igreja e a presença de Maria Auxiliadora, a consagração religiosa e o estilo próprio de oração salesiana.
A dimensão intelectual, determinada pela consagração apostólica salesiana, cultiva, ao longo de toda a vida, a capacidade de reflexão e de juízo e selecciona os âmbitos culturais necessários. Durante a formação inicial, em diferentes Centros de Estudos, os núcleos fundamentais de estudo são:
- uma coerente visão do homem, do mundo e de Deus por meio da Filosofia;
- um aprofundamento da fé através da Teologia;
- as ciências do homem e da educação;
- uma compreensão do próprio carisma através das matérias de salesianidade;
- os elementos da comunicação social necessários para o educador-pastor dos jovens;
- a realidade sociopolítica e económica.
A dimensão educativo-pastoral, sentido e característica fundamental de toda a formação salesiana, necessita da iniciação teórico-prática no Sistema Preventivo como pedagogia, pastoral e espiritualidade (cfr. CG21, 96), e a sua aplicação actual à Pastoral Juvenil Salesiana, que se expressa num Projecto Educativo-Pastoral, elaborado por uma Comunidade Educativo-Pastoral constituída por salesianos e leigos.
Os aspectos fundamentais que a formação procura assegurar ao salesiano são:
- a predilecção pelos jovens mais pobres;
- a capacidade de síntese entre educação e evangelização;
- o sentido comunitário de missão;
- um estilo de animação no pôr em prática o projecto feito de confiança, amabilidade, capacidade de proposta, relação pessoal e ambiente;
- a consciência de uma pastoral orgânica e a necessidade de uma mentalidade de projecto;
- o espírito de discernimento na animação pastoral, nas actuais condições do mundo e dos jovens.
- As principais mediações para a formação educativo-pastoral com a qualificação educativo-pastoral e as actividades pastorais que constituem a proposta e o itinerário teórico e prático que actuam na mente, no coração e em todas as capacidades da pessoa do Salesiano.
O Processo Formativo
O salesiano, iluminado pela experiência de Dom Bosco que se deixou formar pelo Senhor, “empenha-se num processo formativo que dura a vida inteira e respeita os seus ritmos de maturação” (C.98), “num esforço constante de conversão e de renovação” (C.99).
“A formação inicial deve unir-se com a permanente, criando no sujeito a disponibilidade de se deixar formar em cada dia da sua vida” (VC 69)
O salesiano, além disso, “sente-se chamado a viver com preocupação formativa toda e qualquer situação, considerando-a tempo favorável ao crescimento da sua vocação” (C.119). Vive numa atitude pessoal de formação permanente:
- aprende da vida;
- valoriza a eficácia formativa das coisas de todos os dias;
- melhora a competência no período de maior actividade.
Sujeito de formação contínua é também a comunidade salesiana, enquanto educadora de seus membros, por isso está também ela necessitada de renovação. A Formação Inicial Momento fundamental da experiência vocacional de cada pessoa, é o tempo de discernimento e amadurecimento da idoneidade para a dita vocação e da identificação da opção definitiva na formação. Por isso esta é necessária, “tanto para o candidato como para a comunidade, a fim de discernir e secundar a vontade de Deus” (C,107).
O seu objectivo central é a “preparação da pessoa para a total consagração de si mesmo a Deus na sequela Christi, ao serviço da missão” (VC65) segundo o carisma salesiano. Realiza-se por meio de um processo caracterizado e orientado pela natureza da vocação salesiana, estruturado em diversas fases: a preparação para o noviciado, o noviciado e o período da profissão temporária (pós-noviciado, tirocínio e preparação imediata para a profissão perpétua), profissão perpétua e a fase de formação específica.
A Formação Inicial é um processo unitário que harmoniza vitalmente as diversas dimensões da formação contínua, no que cada fase é continuação da anterior e preparação para a seguinte. Isto supõe um projecto formativo unitário e um núcleo animador do caminho formativo provincial. A gradualidade necessita atenção e, ao mesmo tempo, a qualidade como meta, como pedagogia e como critério de discernimento, revisão e adequação do processo à situação, com flexibilidade formativa.
- Sensíveis às diversas dimensões, segundo o carácter específico de cada fase. Não se podem desenvolver todos os aspectos, em cada fase de modo igual ou perder a prioridade do fim formativo específico de cada uma delas.
- Com igual base, mas respeitando a especificidade vocacional. Apresenta portanto um caminho de nível igual com as mesmas fases, e com distinções determinadas pela vocação específica, pela pessoa e pela missão específica (cfr. C.106).
- Depende da co-responsabilidade dos diversos actores (candidato ou formadores) e do discernimento vocacional (pessoal e comunitário).
- Personalizado e inculturado, dando atenção a cada pessoa e a relação entre fé, identidade e cultura.
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